
Pessoas sentem orgulho de agir por amor.
Estou a falar daquelas que pronunciam um “eu faria TUDO para ter você ao meu lado”.
Lutam para ter a pessoa amada, suplicam, mandam flores, escrevem cartas e recitam poemas.
Entendemos como atitudes positivas de quem esquece de si mesmo e age pensando no ser amado.
Mas uma análise um pouco menos superficial traria à tona um outro ângulo de situações desse tipo.
Quem age com estes modos, muitas vezes o faz pensando ser altruísta, entretanto engana-se a si mesmo.
Está pensando na verdade nos próprios interesses.
Quer para si o quentinho no coração de ter consigo a pessoa amada.
E aí chega a forma errada de amar.
Engane-se quem pensa que amor é um dado adquirido.
Que quando se atinge o momento da conquista, já está tudo feito.
Mas não, apenas é o início de tudo.
Não passou de uma fase de preliminares.
A luta pelo amor começa, quando pensamos ter conquistado a pessoa amada.
Nada pode ser descurado.
Por muito que digam que o amor é o sentimento mais forte do mundo, tenho sérias dúvidas.
Para mim talvez seja dos mais fracos, pois não resiste na mairoia das vezes aos problemas que dominam a nossa sociedade.
Porque termina tão rápido aquele "grande amor da nossa vida"?
Porque esse amor tinha que ser alimentado todos os dias.
E as pessoas esquecem:
Esquecem que um amor não é um carro que se compra;
Não é a nossa casa de sonho;
E mesmo que tal comparação se colocasse, também o carro e a casa precisam de manutenção.
O amor não resiste quando se baseia apenas na atracção física, porque nesse aspecto tudo é muito efémere.
O amor não resiste na maioria das vezes porque é complexo demais.
Amar é um conjunto de todos os outros sentimentos, amizade, companheirismo fraternidade, espírito de família.
Só quem consegue fazer um cocktail de todos estes sentiimentos e regá-lo diáriamente com a paixão que mantém acesa a chama, consegue alcançar um amor verdadeiramente alicerçado, forte e indestrutível.
Sim, o amor é realmente complexo demais.
Mas porque nós queremos que assim seja;
Porque não nos empenhamos;
Basta um pequenino gesto diário, para quebrar com essa barreira de complexidade.
Analisemos com cuidado nossas atitudes e intenções, de modo que quando a colheita chegar, saibamos pelo menos o porquê da sua qualidade.
Agora perguntam vocês?
Quem é esta tipa para estar aqui a dissertar sobre o amor?
Já tantos tentaram e ainda ninguém conseguiu, não é?
Pois...com toda a razão.
Eu não sou ninguém.
SOU APENAS ALGUÉM QUE AMA
(escrito em Novembro de 2009)
A. Victorino